Como um Romance

Da conversa foram saindo histórias sobre a leitura, como a realidade já distante de se procurar, nos textos literários, a educação sexual que não era transmitida nem pelas escolas nem pela família; de se proibir a leitura d’A Ilha dos Amores, n’Os Lusíadas; de existirem livros que marcam e que não se tornam a ler, pelas recordações tão vivas e dolorosas que trazem; reflectiu-se sobre a experiência traumática que representa, para uma criança, sentir a leitura como um acto de amor, num momento, e numa tarefa árdua e difícil, no seguinte; ouviu-se uma concisa – mas excelente – recensão sobre o último título de Pennac (Chagrin d’école) pela Helena, autobiografia em que o autor dá a conhecer o seu terrível percurso escolar, com notas fracas a todas as disciplinas (o que levou também o grupo a dissertar sobre se tal teria tido influência na sua forma de ensinar). A discussão manteve a sua pertinência com a análise da citação “Que espantosos pedagogos que nós éramos, quando não nos preocupávamos com a pedagogia.”
A propósito de leitura em voz alta, Miguel Torga e Mário Viegas visitaram o grupo, contando o primeiro “A consoada do Garrincha” e recitando o segundo, como só ele sabia, o “Boletim Meteorológico”. Visualizaram-se pequenos spots publicitários de promoção da leitura, uma entrevista com Fernando Savater e Ana Sousa Dias (em que o filósofo partilha das opiniões de Pennac), e ainda houve tempo para um olhar sobre o futuro do livro. Sobre a mesa, entre chás e bolinhos, obras de José Afonso Furtado, Jorge Luís Borges, Roger Chartier, Marcel Proust, Alberto Manguel e, em representação dos BMO’s, os 10 livros que mudaram o mundo. Uma última nota para uma intervenção virtual da Joana, que enviou e-mail manifestando a sua tristeza por não poder estar presente. Cito esta pérola: “Estou com um bocadinho de inveja, faz tanta falta pensar a conversar”. Lindo!
Em suma, duas sessões que, sem romance, começaram Como um Romance, ficando o dito para Março, com O Leitor, de Bernhard Schlink.
Em suma, duas sessões que, sem romance, começaram Como um Romance, ficando o dito para Março, com O Leitor, de Bernhard Schlink.
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