Camus e Saramago

Bastante interessantes foram também as semelhanças encontradas entre A Peste e o Ensaio sobre a Cegueira, de Saramago. Destaca-se a presença da água, no romance português, com a chuva que cai sobre Lisboa e que representa um acto de purificação e, em Camus, o banho de mar de Rieux e Tarrou, já com a epidemia em curva descendente. Outro elemento presente nas duas obras é o fogo, ateado para a fuga do hospício, em Saramago, e relembrado n’A Peste, a propósito de epidemias passadas. Também duas personagens, apesar de continuamente expostas, se livram da enfermidade ao longo de todo o enredo: o narrador, em Camus, e a mulher do médico, em Saramago. Os dois romances acabam por nos demonstrar as consequências sociais de uma catástrofe - seja de ordem natural ou por intervenção humana -, e as diferentes reacções dos seus intervenientes.
Para o próximo mês há mais Nobel: Pearl Buck e A Mãe.
P.S. – Não nos foi possível ver a peste, tal como se suponha no último post. Mas - e infelizmente - qualquer um o pode fazer: consultem a Survivors of the Shoah Visual History Foundation e assistam aos testemunhos de quem, na primeira pessoa, sofreu a maior epidemia do século XX.
Foto de Saramago aqui
Foto de Camus aqui
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