sexta-feira, 4 de maio de 2007

O riso de Deus

Autor: António Alçada Baptista


Gostei dos encontros e desencontros, da procura, da busca do sabor amargo ou agridoce dos valores mais essenciais da vida; imprime ao Riso de Deus aquela frescura, aquele encanto, esta subtileza de um deus que ri, que joga da vida – alegrias, tristezas, empolgamentos – e se apaixona pela pura alegria de existir.
É um questionamento constante, íntimo, uma peregrinação interior em deambulações ao sabor dos acasos, radical e sensível, no relacionamento feminino: é ela que guia, disserta, se expõe ao amor terno e singular da entrega: «amo-te porque tu dás-me paz»


Augusto Martins, 64 anos, Técnico Superior de Telecomunicações

entrada nº 0045

Histórias com Riscos & Rabiscos

5 de Maio, sábado, 16H00, na Biblioteca Municipal de Carnaxide

“Imaginemos um castelo verde… e se em vez de verde fosse azul, amarelo, às ricas… ou doce?”
Animação baseada nas ilustrações originais de Manuela Bacelar para o livro “O Castelo Verde”, de Maria Isabel Mendonça Soares, em exposição na Biblioteca Municipal de Carnaxide.

Para pais e filhos, avós e netos e demais amigos.
Crianças a partir dos 5 anos

Informações e inscrições (prévias):
Biblioteca Municipal de Carnaxide
Sector Infantil Telf: 21.417.01.65

quinta-feira, 3 de maio de 2007

A importância de ser amável

Autor: Oscar Wilde

Considero que Oscar Wilde, (não como crítica credenciada, mas tão somente como leitora comum) nesta obra demonstra bem os seus dotes de brilhante escritor, pela fulgurante linguagem que dos diálogos que transbordam das personagens num constante rodopiar que dança e salta numa estonteante conversação esteticamente luxuriante. Assim prende o leitor às inúmeras personagens que proliferam na sua peça. Porém no ambiente criado (uma sociedade snob numa época vitoriana) apercebemo-nos da pouca consistência dos assuntos e de que das coincidências que decorrem há falta de veracidade o que deixa uma sensação de desencanto.

Maria José Gomes, 70 anos, Bancária Aposentada

entrada nº 0044

UMA GRANDE NOTÍCIA… PARA TRÊS MESES EM GRANDE!

O sector infantil da BM de Carnaxide não pára, e o balanço do 1º trimestre de 2007 é exemplificativo:

A 11 e 25 de Janeiro 48 crianças da EB1 Sylvia Philips (1º B e 2º C) ouviram os contos “O meu tetravô era um guerreiro” e “Um ladrão debaixo da cama”, no âmbito das Viagens por Entrelinhas. Conversamos com os meninos sobre os antepassados e as tradições familiares e todos eles registaram num livro, previamente elaborado pela animadora, factos e acontecimentos da sua família que fossem importantes para eles, como por exemplo, um pai escritor, um avô pintor, receitas de família, situações engraçadas, etc. Esta actividade levou a um grande envolvimento por parte das famílias e professores e os trabalhos estiveram exposição no Espaço Infantil da Biblioteca de Carnaxide, no âmbito da Bibliofesta. A 17 e 24 do mesmo mês a escritora/ilustradora Celeste Maia contou às turmas 4ªC e 4ªD a história do livro de sua autoria “O quadro que não quer acabar”. A autora recorreu a meios áudio visuais e, a seguir, fez uma visita guiada aos seus desenhos originais, chamando assim à atenção para certos pormenores e diferenças entre as ilustrações originais e as que posteriormente foram impressas no livro, motivando as crianças para a observação do pormenor. Resultou muito bem a utilização dos meios visuais e sonoros. Celeste Maia teve o cuidado de sincronizar as imagens e o som enquanto narrava o conto, conseguindo desta forma captar o interesse dos meninos e tornando a actividade mais dinâmica. Em Fevereiro houve novo encontro com a autora – a 1 e 15 de Fevereiro –, desta feita com 25 crianças entre os 5 e os 6 anos, do colégio “O Miminho”. Os meninos viram a exposição dos originais de Celeste Maia (“O quadro que não queria acabar”) e ainda ouviram os contos “Quiriquiqui” e “O rinoceronte muito malcriado”. Realizou-se um pequeno atelier, em que foi dado às crianças uma moldura, previamente concebida pela animadora, e na qual as crianças deram asas à imaginação criando o seu próprio final da história. Também 19 crianças da EB1 Sylvia Philips – 4º A – vieram visitar “O Quadro Que Não Quer Acabar” e ouviram “O Mistério do Urso”. Ainda no âmbito das Viagens por Entrelinhas, o colégio “O Miminho” trouxe também 25 crianças entre os 3 e os 4 anos, no dia 1 de Fevereiro, para ouvirem o conto popular “O gato comilão” e a obra de Jeanne Willis “O rinoceronte muito malcriado”. Fez-se um pequeno atelier com colagens e pinturas, recorrendo à reutilização de materiais.

Ufa, tanta coisa!!! Mas continuemos:

48 leitores (sim, porque são pequeninos mas já são leitores!!) do 2ºC e 1º B da EB1 Sylvia Philips escutaram, a 7 e 25 de Fevereiro, “O Grufalão”, “Ainda Nada?” e “O Herbário”. Abordamos temas como a poluição e os diversos habitats, leram-se versos e semearam-se girassóis em vasos previamente cedidos pela Divisão de Espaços Verdes. E no final cada criança levou o seu vaso para tratar da sementinha e escrever um poema sobre a Natureza. Crianças e professores empenharam-se nesta actividade, criando canções RAP, escrevendo poemas, frases, etc., e que posteriormente trouxeram à Biblioteca e expuseram no espaço infantil. No dia 14 de Fevereiro o Colégio Avé Maria esteve na Biblioteca com duas turmas do 1º ano divididas por dois períodos, um de manhã e outro à tarde, num total de 40 crianças. Leram-se dois contos: o primeiro da história do pequeno Leonardo do livro, “Desculpa…por acaso és uma bruxa?”, e o segundo com o divertidíssimo Grufalão, do livro com o mesmo nome. Depois de a dinamizadora lhes ter dado algumas pistas e características do personagem, propôs-se aos meninos que criassem o seu “Grufalão”. No final foi lançado um desafio às crianças: que tentassem descobrir o verdadeiro Grufalão na biblioteca da sua escola e que o comparassem com o personagem idealizado por eles. Entregou-se ainda uma ficha de trabalho com várias propostas, entre elas, a de realizarem uma peça de teatro ou fantoches com os monstros criados pelos meninos. Nos dias 7 e 22 de Março tivemos uma surpresa, o Salpico veio fazer uma visita à Biblioteca. A EB1 Sylvia Philips esteve presente com as turmas 2º D, 2º E, 1ºA e 2º A, que assistiram ao “Teatrinho do Salpico”, teatro de fantoches em que o herói da história é o Salpico, mascote do SMAS. Esta actividade é subordinada ao tema “O Ciclo da Água e a sua importância enquanto bem escasso e essencial à vida”. Foi uma forma lúdica e pedagógica de informar as crianças para a importância da água, de como utilizá-la, e de como os seres vivos dependem dela. Finalmente, a 7 e a 14 de Março, 48 crianças da EB1 Sylvia Philips – 1ºB e 2ºc –, assistiram ao “O Lobo Culto”, à “Gabriela e a Espreitadela” e ao ”Chiu!”. Três histórias, que focaram diversas formas de medo. Fez-se, então, uma viagem pela exposição dos desenhos originais de Paulo Galindro para o livro “Chiu!”, escrito por Mafalda Milhões. No final foi pedido às crianças que imaginassem o sonho do gigante e que o representassem numa ilustração, em que utilizassem materiais como: ráfia de várias cores, trapos, recortes de revistas, serapilheira, etc.. Encetou-se uma conversa muito agradável com as crianças, sobre os sonhos e os medos. No final da sessão, cada criança levou um bloco com o título “O meu diário dos medos”, e no qual se propôs aos meninos que escrevessem ou desenhassem o que os inquietava. Fizemos, assim, uma viagem à terra dos medos e partilhamo-los.

Isabel Maria Machado

José Luís Peixoto - o que sempre desejamos...





Trabalho foi criado por Nelson D'Aires para o final da sessão de leituras de poemas inéditos do José Luís Peixoto que aconteceu no passado dia 19 de Maio nas Quintas de Leitura, Teatro Campo Alegre.

José Luís Peixoto estará na Biblioteca Municipal de Algés, no Café com Letras, dia 30 de Maio pelas 21h30.

Oeiras recebe Semana Académica

A Semana Académica de Lisboa associa-se este ano, pela primeira vez, à Semana da Juventude de Oeiras, que decorrerá de 9 a 13 de Maio, em vários locais do concelho.

Do programa da Semana Académica fazem parte vários concertos incluídos no Festival Académico, entre os dias 9 e 12 de Maio. Xutos & Pontapés, Pedro Abrunhosa, Terrakota, Blasted Mechanism, Patrice, Buraka Som Sistema e o DJ Marlboro são alguns dos nomes que actuarão na Zona Ribeirinha de Algés.

Mas a Semana da Juventude de Oeiras inclui muitos outros eventos que vão desde sessões temáticas a exposições, passando pelo desporto e por festas e feiras, entre outros.

Esta iniciativa da Câmara Municipal de Oeiras, através do Gabinete de Juventude, dá a oportunidade aos jovens e agentes juvenis do concelho de mostrarem a sua capacidade, iniciativa e intervenção.

Programa da Semana da Juventude
Programa da Semana Académica de Lisboa

Notícia: Site CMO

ver títulos dos Xutos & Pontapés no catálogo da biblioteca

ver títulos do Pedro Abrunhosa no catálogo da biblioteca

ver títulos dos Terrakota no catálogo da biblioteca

quarta-feira, 2 de maio de 2007

«(...) Se eu pudesse trincar a terra tôda
E sentir-lhe um paladar,
Seria mais feliz um momento...
Mas eu nem sempre quero ser feliz.
É preciso ser de vez enquando infeliz para se poder ser natural...

Nem tudo é dias de sol,
E a chuva quando falta muito, pede-se.
Por issso tomo a infelicidade com a felicidade
Naturalmente, como quem não estranha
Que haja montanhas e planícies
E que haja rochedos e erva...

O que é preciso é: ser-se natural e calmo
Na felicidade ou na infelicidade,
Sentir como quem olha,
Pensar como quem anda,
E quando se vai morrer, lembrar-se que o dia morre,
E que o poente é belo e é bela a noite que fica...
Assim e assim seja... »

Alberto Caeiro (heterónimo de Fernando Pessoa)

segunda-feira, 30 de abril de 2007

Quem são os conferencistas presentes no II Encontro Oeiras a Ler

II Encontro Oeiras a Ler

Notas biográficas sobre os conferencistas


Briony Train










Briony Train é investigadora na Universidade de Sheffield e coordena os cursos de pós-gradução no Departamento de Estudos da Informação na área das bibliotecas.
De 1999 a 2002 foi professora na University of Central England, em Birmingham.
Iniciou a sua actividade profissional como gestora de marketing numa livraria e o seu trabalho envolveu, desde cedo, a concepção e o desenvolvimento de programas, iniciativas e eventos com escritores e /ou sobre literatura.
De entre as suas publicações destacam-se:
- Co-autoria do livro “Reading and Reader Development: the pleasure of reading” (2003);
- “Reading research”. In: Feather, J. & Sturgess, P. (eds). International Encyclopedia of Information and Library Science. London/New York: Routledge.
É colaboradora assídua em várias publicações periódicas, de entre as quais se destacam: ‘New Review of Children´s Literature and Librarianship’; ‘Bussiness Information Review’;’ Library Review’, ‘New Library World’; ‘Library Management’, ‘Public Library Journa’ e’ Library Association Record’.
É colaboradora assídua em várias publicações periódicas, de entre as quais se destacam: ‘New Review of Children’s Literature and Librarianship’; ‘Business Information Review’;’ Library Review’, ‘New Library World’; ‘Library Management’, ‘Public Library Journal’ e’ Library Association Record’.


Luca Ferrieri



Luca Ferrieri é director dos Serviços culturais e bibliotecários da Comuna de Cologno Monzese e tem vindo a desenvolver trabalho sobre o tema da teoria e prática da leitura, nomeadamente no que respeita às comunidades de leitores.
Licenciado em Filosofia, com uma tese sobre Filosofia e arte no pensamento de Adorno, fez também a Escola de Cinema da Comuna de Milão.
É colaborador regular em publicações periódicas, como sejam “Biblioteche oggi”, “Sfoglialibro”, “Culture del testo”, “Effe”, “Revisteria”, “Poliscritture” e publicou diversas obras, de entre as quais se destacam:

- Il lettore a(r)mato. Roma: Stampa Alternativa, 1993.;
- La promozione della lettura. Milão: Bibliográfica, 1996.;
- La lettura? Che storia! Che cosa leggere sulla lettura e sui lettori. 2ª ed. Modena: Servizio Biblioteche, 1997.
- Il piacere di leggere. Teoria e pratica della lettura. 2ª ed. Milão: Unicopli, 1998 (em colaboração com Piero Innocenti);

Escreveu o artigo Leitura no manual La Biblioteca Pubblica. G.V. Moscati (Dir). Milão: Unicopli, 2000 e um outro sobre Serviço de leitura na obra Lineamenti di biblioteconomia sob a direcção de G. Solimine e P. Weston, em vias de publicação.
Colaborou no volume La Biblioteca e l’immaginario. Milão: Ed. Bibliográfica, 2004, com o artigo Le biblioteche amorose.
Faz ainda parte da Comissão Editorial da revista “Biblioteche Oggi”, é consultor do site http://www.letturaweb.net/ , redactor em http://www.nopago.org/ e colaborador no blog http://gruppodilettura.wordpress.com/ .

Lúcia Cedeira Serantes



Lucía C. Serantes bibliotecária no Centro de Documentação e responsável pela Sala Juvenil do Centro Internacional do Livro Infantil e Juvenil, em Salamanca.
É licenciada em Documentação pela Universidade de Salamanca e mestre em Biblioteconomia e Documentação pela Universidade de Pittsburgh (EUA).
Foi professora associada no Departamento de Biblioteconomia e Documentação da Universidade de Salamanca e colaborou em diferentes cursos de formação.
Os seus interesses profissionais centram-se nos públicos adolescentes e na sua relação com as bibliotecas, nas TIC e sua relação com a leitura e ainda na alfabetização profissional e no universo da banda desenhada.



Filipe Leal



Filipe Leal é licenciado em história pela Faculdade de Letras de Lisboa e possui o Curso de Especialização em Ciências Documentais (FLL) e o Curso de Especialização em Estudos das Informação e Bibliotecas Digitais (ISCTE). Obteve em 2007 o grau de Mestre em Educação e Leitura na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação.

Desde 1988 que exerce a actividade de bibliotecário em diversas bibliotecas públicas portuguesas (Setúbal, Alcácer do Sal, Vendas Novas e Oeiras). Desde Novembro de 2002, é Chefe de Divisão das Bibliotecas, Documentação e Informação da Câmara Municipal de Oeiras.

Para além da sua actividade como bibliotecário desenvolve também uma actividade regular de docência e formação na área das bibliotecas. Foi docente no Curso de Especialização em Ciências Documentais na Universidade Autónoma de Lisboa. É formador associado de diversas instituições, entre as quais se destacam: Associação Portuguesa de Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas (BAD), centros de formação de professores. Entre as matérias em que é formador destacam-se: promoção da leitura, bibliotecas escolares, difusão documental.

Ao longo dos anos tem desenvolvido um conjunto diversificado de projectos pioneiros na área da promoção da leitura e na área da aplicação das TIC na criação de novos serviços.


Martine Poulain

Martine Poulain dirige actualmente a Biblioteca do Instituto Nacional de História da Arte. Anteriormente havia coordenado o Serviço de Estudos e Investigação da Biblioteca Pública de Informação no Centro Georges Pompidou-Beaubourg, foi chefe de redacção da revista Bulletin des Bibliothèques de France e coordenou um centro de formação contínua e um mestrado em Assuntos do Livro na Universidade Paris X, Nanterre.
Doutorada em Sociologia, tem coordenado trabalhos de investigação e publicou várias obras e vários artigos sobre sociologia da leitura, sociologia dos públicos das bibliotecas, história da censura e história das bibliotecas no séc. XX.
De entre as suas publicações mais recentes, destacam-se:
- Histoire des bibliothèques françaises. Les bibliothèques au XXe siècle, colletif sous la direction de Martine Poulain, Paris: Le Cercle de la Librarie, 1992. ;
- Lire en France aujourd’hui, colletif sous la direction de Martine Poulain, Paris: Le Cercle de la Librarie, 1993. ;
- “La censure du livre” in Histoire de l’edition française, 1945-1995, sous la direction de Pascal Fouché, Paris: Électre-Le Cercle de la Librarie, 1998. ;
- Dictionnaire encyclopédique du livre, coordination scientifique de Jean-Dominique Mellot, Alain Naves, Martine Poulain, Philippe Schuwer, Paris: editions Électre-Le Cercle de la Librarie, 2002.

Encontra-se actualmente a preparar uma História das Bibliotecas Francesas sob a Ocupação (1940-1944).

«Aquela senhora tem um piano
Que é agradável mas não é o correr dos rios
Nem o murmúrio que as árvores fazem...

Para que é preciso ter um piano?
O melhor é ter ouvidos
E amar a Natureza.»

In Capítulo XI, Poesia de Alberto Caeiro

sábado, 28 de abril de 2007

Rostropovich (1927-2007) - I

Mstislav Rostropovich, talvez o maior violoncelista do século XX, morreu ontem de manhã, aos oitenta anos. Numa longa carreira onde a parte musical foi acompanhada por gestos públicos corajosos, Rostropovich conheceu alguns dos principais artistas e líderes do século XX. Um deles, o ex-presidente da Rússia, Boris Yeltsin, foi há dias enterrado no mesmo cemitério de Moscovo onde Rostropovich deverá repousar.
Rostropovich nasceu a 27 de Abril de 1927 em Baku, no Azerbeijão, uma das repúblicas da então União Soviética. A família, de origem russa, mudou-se para Moscovo quando ele tinha quatro anos. Filho de músicos, a criança cedo se revelou um prodígio. Teve como primeiro professor o pai, igualmente violoncelista. Aos oito anos deu o primeiro concerto público.
No conservatório Rostropovich foi aluno de Prokofiev e Shostakovich. Este último dedicou-lhe várias obras, e os dois seriam amigos até à sua morte, em 1975. Foi um dos casos em que o violoncelista pôde apreciar a repressão e o sofrimento a que a URSS submetia os artistas. Como violoncelista, Rostropovich aliava um temperamento emocional a uma técnica perfeita.
A lista de compositores que escreveram obras para ele inclui, além de Shostakovich (e do próprio Prokofiev, através da revisão de um concerto para violoncelo que resultou na Sinfonia Concertante), Britten, Dutilleux, Bernstein e Khatchaturian. Ficaram célebres as suas interpretações de Bach, Haydn e Dvorak, entre outros. No caso de Bach, a última gravação das suites suscitou alguma polémica, havendo quem a achasse idiossincrática. Além de violoncelista, Rostropovich foi maestro, tendo realizado inúmeras gravações, com diversas orquestras. Foi igualmente professor. Como intérprete, no entanto, a sua influência foi inultrapassável.
O grande violoncelista era também uma referência moral. Achava que os artistas tinham obrigação de defender a liberdade.
Notícia: Expresso

Rostropovich (1927-2007) - II

Suite No. 3 em C Maior, Mstislav Rostropovich - Johann Sebastian Bach (1685-1750)
Bourreé ORTF, Paris, Dezembro 1962

sexta-feira, 27 de abril de 2007

II Encontro Oeiras a Ler

Dando continuidade à aposta iniciada em Junho deste ano, propomo-nos realizar nos dias 24 e 25 de Maio de 2007 a segunda edição do Encontro Oeiras a Ler, no Auditório da Biblioteca Municipal de Oeiras, desta feita subordinado ao tema A Promoção da Leitura nas Bibliotecas Públicas Europeias.

A questão da leitura e da literacia, da sua promoção e mediação e o papel a desempenhar pelas bibliotecas públicas neste contexto impõe-se como uma reflexão necessária e urgente no mundo actual, pleno de potencialidades ao nível das redes comunicacionais e de informação mas também potenciador da info-exclusão, mercê das fortes assimetrias sociais que não permitem, de facto, uma efectiva equidade de oportunidades. Reflectir acerca dos novos papéis a desempenhar pela biblioteca pública para tornar possível e profícuo o cumprimento da sua missão é, por isso, determinante. Para o efeito, importa conhecer a forma como algumas bibliotecas públicas europeias têm respondido ao desafio, tendo em conta esta questão de âmbito global e a realidade objectiva e concreta dos respectivos países. Deste intercâmbio de experiências, procuraremos atentar na realidade portuguesa e prefigurar a forma como alguns modelos de intervenção podem ser aplicados ao contexto das bibliotecas públicas em Portugal.

O Encontro Oeiras a Ler rompe, pois, da esfera local para alargar a discussão destas questões a interlocutores de outros países, privilegiando, evidentemente, aqueles com forte e reconhecida tradição no âmbito da rede de leitura pública e das bibliotecas em geral, com o propósito explícito de marcar um espaço diferente e único no panorama dos Encontros e Congressos nacionais sobre esta temática e destinado aos agentes implicados na mediação da leitura: bibliotecários, professores e educadores.

O Encontro terá a duração de dois dias e prevê-se que conte com a presença de representantes de seis países - incluindo Portugal -, de reconhecido mérito internacional. Cada um dos especialistas proferirá uma conferência, à qual se seguirá um período de debate orientado por um moderador. O Encontro contará ainda com um especialista português, a quem caberá a tarefa de, no final, produzir uma análise crítica e lançar pistas de trabalho passíveis de aplicação no contexto das bibliotecas públicas portuguesas.

Além da conferência, os especialistas convidados terão ainda a incumbência de produzir um texto original no qual seja retratado o panorama geral do seu país relativamente ao tema. Estes textos serão posteriormente publicados, por forma a consubstanciar a memória do Encontro, a enriquecer a bibliografia portuguesa acerca deste tema e, consequentemente, o fundo documental do Centro Oeiras a Ler.

O princípio do caminho

Autor: Frederico Mira George


Considerei um livro generalista sobre o budismo, ioga e meditação. Um apanhado geral sobre estes temas. está bem conseguido mas muito ligeiro.

Madalena Madeira, 38 anos, Professora

entrada nº 0043

quinta-feira, 26 de abril de 2007

1º Workshop sobre Comunicação, Educação e Formação no Second Life


Entre 23 e 25 de Maio, realiza-se na Universidade de Aveiro o 1º Workshop sobre Comunicação, Educação e Formação no Second Life. A organização deste encontro visa "reunir a comunidade científica, educativa e tecnológica nacional interessada no desenvolvimento do conhecimento e na partilha de experiências de utilização deste ambiente 3D como forma de complementar e enriquecer as experiências educativas nos mais diversos contextos de vida, de trabalho e de aprendizagem formal e informal".

Mais informações em cef^SL

Aproveitamos para divulgar um video demonstrativo de como podem ser criados campus virtuais no Second Life com finalidades formativas e educativas, produzido pela NETg.

A educação no Second Life: Thomson NETg


terça-feira, 24 de abril de 2007

Olha nus o mundo/ quem sente

Das estradas e vielas
do norte este
vejo a sombra
iluminada
do rosto
que esvoaça
bocejos
de amor
do mundo
inteiro
espelhados
nu olhar
dele até
ao coração
e sentir
meu
em mim
bemol
mais
sustenido
imenso
e ainda
algumas
eternidades

Laivos de um Rui Reininho nesta nossa Biblioteca …

«Eu gostava de me tornar santo (…) estou a evoluir cada vez mais para ser um patife refinado

«Gosto do silêncio, do grande silêncio, da mística e de retiros, mas com mulheres espanholas não funciona (são adoráveis mas falam, falam), nem auto-estradas.»

«Os blogues são como escrever nas casas-de-banho - tão sinceras se dizem coisas que têm mesmo que se dizer!»

«Os grafittis são muito giros desde que não sejam no portão de minha casa!»

«Lembro-me de situações incríveis com os GNR, de levar com pedras, pedrinhas, mas o que certo público mais gostava era daquela gravilhazita nas costas! Foi uma caminhada musical muito a custo/pulso quantas viagens de camionetas clandestinas, quando a polícia aparecia era tudo pró chão!»

«Rio-me pouco e mesmo com palhaços! (aliás) nunca gostei de palhaços (…).»

«Amanhã zum zum zum…» (onomatopeias suas…)

«Os jovens hoje já não se lembram do que fizeram ontem. Acham que por serem jovens merecem tudo! E não se calam com: “Eu sou Jovem” e ?! …»

«Imagino as escutas telefónicas, que aborrecidas – “onde estás?”, “Então vá!...”»

«(Quem afirmou) “gosto de pirataria, hoje roubei uns livros” já prescreveu de certeza!!»

«Não há registo da minha passagem pela Universidade em Germânica!»

«Não leio jornais, só ‘O Jogo’ (de) que gosto muito; é uma linguagem que chega a todos os portugueses e até a alguns juízes!... é outro mundo.»

«Tenho muito medo de perder a memória e enquanto puder ficcionar (que tanto gosta) – faço-o.»

«Até os meus vizinhos, por vezes, não me ouvem dois e três dias seguidos… chegam mesmo a vir bater à porta (de sua casa).»

«(…) Fiz um pouco de Teatro, Cinema, mas acho o Cinema muito cansativo e artificial – são exageradíssimos os sons, os efeitos sonoros …”bhá”!!!»

«São realidades Kafkianas»; «São coisas provisórias que se tornam definitivas» (a propósito de alguns assuntos)

«Acho o Hip-hop uma realidade muito boa, são coisas que se tem para dizer, é uma coisa da rua, do comércio humano e urbano…»

«(…) Vive-se do expediente!»

«Uma grande preocupação minha – o Planeta!?!»

(Registos retirados da conversa de Rui Reininho com Carlos Vaz Marques no Evento da Bibliofesta no dia 20 de Abril)

"The Literacy Project"

Usar o poder da Internet para ajudar nos esforços de alfabetização. É esta a missão de um portal desenvolvido pela Google que conta com o apoio do Instituto de Formação Contínua da UNESCO. Dirigido a professores, ONGs e público em geral The Literacy Project já está disponível em espanhol, inglês e alemão e a prazo poderá estender o número de idiomas. Este centro de recursos facilita a pesquisa sobre livros, artigos escolares, blogs sobre alfabetização, vídeos, mapas e uma vasto leque de conteúdos de apoio, que no âmbito de várias parcerias internacionais estão em constante actualização.


Fonte: Tek (Sapo)

segunda-feira, 23 de abril de 2007

Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor


Através da celebração deste dia a UNESCO pretende fomentar a leitura, a indústria editorial e a protecção da propriedade intelectual através do direito de autor.

A 23 de Abril 1616, faleceram Cervantes, Shakespeare e Garcilaso de la Vega "El Inca". Esta data assinala também o nascimento ou a morte de grandes autores tal como Maurice Druon, K. Laxness, Vladimir Nabokov, Josep Pla ou Manuel Mejía Vallejo. Por este motivo, neste dia, tão simbólico para a literatura universal, foi escolhida pela Conferência Geral da UNESCO para prestar uma homenagem mundial ao livro e aos seus autores, e incentivar a descobrir o prazer da leitura e respeitar a insubstituível contribuição dos criadores ao progresso social e cultural.

A ideia desta celebração teve origem na Catalunha (Espanha), onde é tradicional oferecer uma rosa em troca da compra de um livro. O sucesso desta iniciativa depende fundamentalmente do apoio que pode receber dos meios interessados (autores, editores, livreiros, educadores e bibliotecários, instituições públicas e privadas, organizações não governamentais e medias) mobilizados em cada país através das Comissões Nacionais da UNESCO, das associações, centros e clubes UNESCO, das redes escolares e das bibliotecas associadas, e de todos que se sentem motivados para participar a esta festa mundial.

Fonte: UNESCO

sexta-feira, 20 de abril de 2007

ACONTECEU NA SEXTA-FEIRA 13 !!!!

Foi na passada sexta-feira 13, que decorreu o "Pijama às Letras" na BMO!!!!

A Vassilíssa e a Bruxa Babayaga estiveram na BMO a contar a sua história – pelo grupo de teatro “O Bando” – de referir que a audiência miúda e graúda, ficou enfeitiçada pela beleza e profundidade deste conto, vindo da Russia.

Depois foi tempo para festejar outro Mago: o dinamarquês Hans Christian Andersen! Ele foi um dos percursores dos contos para infância, já fez mais de 200 anos e continua vivo... nas histórias que escreveu!
E assim, noctívagos, continuámos a viajar pelo mundo, pelos contos, na voz da Mafalda Milhões, ao som do violino da Rita Mendes e abrigados sob as estrelas.
Alimentados de imaginação, embalados pela melodia, aconchegados entre mantas e livros, adormecemos e sonhámos… madrugada adentro. Com tudo isto, só regressámos a casa na manhã do dia seguinte... e as nossas famílias? Adoraram!!
Para ver as fotos dos futuros BIBLIÓFILOS e dos seus animados pais, clique aqui.

Poemário - Mariana da Cruz

Vídeo produzido por Mariana da Cruz no âmbito do estágio do Curso Tecnológico Multimédia - especificação Design Multimédia - (Escola Secundária Quinta do Marquês), a decorrer na CMO/Biblioteca Municipal em Oeiras.

Há uma hora, há uma hora certa

«Há uma hora, há uma hora certa
que um milhão de pessoas está a sair para a rua.
Há uma hora, desde as sete e meia horas da manhã
que um milhão de pessoas está a sair para a rua.
Estamos no ano da graça de 1946
em Lisboa, a sair para, o meio da rua.
Saímos? Mas sim, saímos!
Saímos: seres usuais, gente gente! olhos, narinas, bocas,
gente feliz, gente infeliz, um banqueiro, alfaiates, telefonistas,
varinas, caixeiros desempregados,
uns com os outros, uns dentro dos outros
tossicando, sorrindo, abrindo os sobretudos, descendo aos
mictórios para apanhar eléctricos,
gente atrasada em relação ao barco para o Barreiro
que afinal ainda lá estava apitando estridentemente,
gente de luto, normalmente silenciosa
mas obrigada a falar ao vizinho da frente
na plataforma veloz do eléctrico, em marcha,
gente jovial a acompanhar enterros
e uma mãe triste a aceitar dois bolos para a sua menina.
Há uma hora, isto: Lisboa e muito mais.
Humanidade cordial, em suma,
com todas as consequências disso mesmo
e a sair a sair para o meio da rua. (...)»

Há uma hora, há uma hora certa, por Mário Cesariny

A Pastelaria

«Afinal o que importa não é a literatura
nem a crítica de arte nem a câmara escura
Afinal o que importa não é bem o negócio
nem o ter o dinheiro ao lado de ter horas de ócio
Afinal o que importa não é ser novo e galante
- ele há tanta maneira de compor uma estante!
Afinal o que importa é não ter medo: fechar os olhos frente
ao precipício
e cair verticalmente no vício
Não é verdade rapaz? E amanhã há bola
antes de haver cinema madame blanche e parola
Que afinal o que importa não é haver gente com fome
porque assim como assim ainda há muita gente que come
Que afinal o que importa é não ter medo
de chamar o gerente e dizer muito alto ao pé de muita gente:
Gerente! Este leite está azedo!
Que afinal o que importa é pôr ao alto a gola do peludo
à saída da pastelaria, e lá fora – ah, lá fora! – rir de tudo
No riso admirável de quem sabe e gosta
ter lavados e muitos dentes brancos à mostra»

A Pastelaria, por Mário Cesariny