terça-feira, 26 de outubro de 2010

A República é cidadania, com Carlos Fiolhais


No mês em que se celebra o primeiro centenário da República Portuguesa e como corolário do percurso traçado ao longo do ano a última sessão deste projecto, que teve lugar no passado dia 20 de Outubro, procuramos sublinhar esse espaço central do movimento republicano português que aponta para a criação dum território semeado pela participação, pela transformação, pela esperança, pelo sonho... Um espaço sempre dominado pela capacidade que o Homem tem de se reinventar a si mesmo, de reflectir, de explorar novos e velhos caminhos numa diáspora constante.
Por este motivo, e sob o mote que orientou esta última sessão, procuramos recuperar esse conceito tão universal como abrangente da cidadania, como construção colectiva, participação subentendendo que podemos através deste conceito pensar em aspectos relacionados com a República, como Res Publica, ou seja, responsabilidade pública, ética e cidadania, associando esse espaço público, esse espaço de discussão como um dos vectores da construção da participação activa, da verdadeira vivência democrática, factor crucial que gera leituras críticas e dinâmicas a partir do material do passado. Foi a criação deste momento que permitiu operar inúmeras transformações desde as artes, à ciência, à literatura, enfim, ao saber em geral.
Carlos Fiolhais explorou, justamente, a relação entre República e Ciência...

Pode consultar aqui os dois últimos Guiões de Leitura elaborados pelas Bibliotecas Municipais de Oeiras no âmbito deste projecto.

Guião de Leitura - República é Cidadania
Guião de Leitura - A Aventura das Ideias: Razão, Saber e Poder

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

A República, lugar da utopia...


Logo mais à noite terá lugar a terceira sessão deste projecto, desta feita sob a designação "Os caminhos da República. Razão, saber e poder". A sessão está marcada para as 21h30, no Auditório da Biblioteca Municipal de Oeiras e conta com a participação da investigadora Irene Pimentel e do jornalista Jacinto Godinho. A moderação é da responsabilidade de Carlos Pinto Coelho.

Apareça!

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

República, lugar da utopia. O regresso...


Em Setembro terá lugar a terceira sessão deste nosso projecto... Desta feita sob a égide "Os caminhos da República. Razão, saber e poder". A sessão está marcada para o dia 22 de Setembro, às 21H30, no Auditório da Biblioteca Municipal de Oeiras e conta com a participação da investigadora Irene Pimentel e o jornalista Jacinto Godinho. A moderação é da responsabilidade de Carlos Pinto Coelho.
Desde sempre os Homens forjam ao pensamento formas, estruturas conceptuais, ideias com que configuram a realidade e que permitem a leitura e interpretação do mundo. Este mecanismo está, de resto, na génese das diversas concepções da realidade que foram moldando, durante milénios, a nossa visão do mundo e o nosso modus vivendi!
A palavra polis traduz, por isso, um modelo cultural e racional de que somos herdeiros. Perceber o modo como as sociedades se organizaram, ou seja, o modo como o pensamento configurou estas associações de pessoas na antiguidade clássica grega é fundamental para a compreensão do sistema político actual e as diversas formas de governo que a história conheceu.
Para reflectir e pensar o mundo, a história e as suas lutas são necessárias representações destinadas a compreender o real, uma espécie de esquemas de revelação e de compreensão.
A cidade grega, aberta ao diálogo e à democracia, inventou, por isso, um tipo de razão dedicado ao pensamento teórico e laicizado e liberto da ordem do mito: uma racionalidade até certo ponto "laica", que organiza a experiência sem recorrer a princípios teológicos. O pensamento grego liberta-se lentamente da consciência mítica ou religiosa, para fundar e criar a razão humana: o logos que, em grego, significa simultanemanete palavra, discurso ou razão.
A instauração da democracia é, assim, criadora de uma racionalidade inédita. A regra da democracia transforma a arte da demonstração num verdadeiro mecanismo de poder. Ao mesmo tempo, a palavra torna-se rainha e do domínio da linguagem emerge o logos ou a razão. Mas a cidade não implica apenas a força da palavra e do discurso argumentado: realiza com os primeiros legisladores a redacção das leis fazendo do Homem um verdadeiro animal político.
Estas e outras matérias estarão em reflexão na próxima sessão em mais uma das possíveis leituras semânticas e históricas do universo republicano e a forma como a razão configurou o poder ao longo dos séculos...
Participa. Constrói a tua República!

Consulte aqui os Guiões de Leitura anteriores elaborados pelas Bibliotecas Municipais de Oeiras no âmbito deste projecto:

Guião de Leitura A República, Lugar da Utopia
Guião de Leitura Iconografia do Feminino na República

sábado, 17 de abril de 2010

A República, lugar da utopia

Dia 21 de Abril, quarta-feira, 21H30
Auditório da Biblioteca Municipal de Oeiras
Iconografia Feminina na República
O olhar de Atena
com Maria Teresa Horta e João Cutileiro
Moderação: Carlos Pinto Coelho
Na segunda sessão deste projecto, continuaremos a percorrer o trilho da reflexão sobre esta categoria política que designamos como República. Na sua acepção etimológica, República significa espaço ou coisa pública enquanto exercício de intervenção cívica e construção da cidadania. Não poderíamos, por isso, deixar de convocar umas das dimensões mais importantes da sua história. Falamos, naturalmente, da representação iconográfica republicana e da herança de que é legatária de inúmeras figuras femininas, mitológicas e não só, que foram sendo convocados na representação deste ideal.
Desde sempre, a história do pensamento nos legou histórias e arquétipos que têm como inspiração a figura feminina. Uma das mais representativas dessas figuras mitológicas é a deusa Atena o seu significado no pensamento clássico grego. Atena era filha de Zeus que a teve sozinho, sem intervenção feminina. Ela nasceu da cabeça do grande deus, totalmente armada, pois segundo o pensamento dos criadores do mito, se a mulher gera através da barriga, é da cabeça dos homens que saem as suas criações. Deusa virginal da vitória e do combate, é também a deusa da sabedoria, protectora da vida política, da ciência e das artes, bem como da habilidade manual. Atena era frequentemente acolhida pelas cidades como protectora e patrona. Acima de tudo, Atena é geralmente considerada no mundo grego e especialmente na sua cidade Atenas, como deusa da razão. É ela quem, também, preside às artes e à literaura...
Uma outra figura feminina do imaginário mitológico é a célebre Vitória de Samotrácia, considerada a maior obra-prima de toda a escultura helenística. De figura alada e dramática, esta escultura representa a grande deusa Atena Niké (Atena que traz a vitória) que acabou de poisar na proa de um navio, ainda semi-sustentada pelo forte vento contra o qual avança. Símbolo da força e da determinação, celebra uma conquista naval de um famoso Rei da Macedónia e figura actualmente na escadaria principal do Museu do Louvre, em Paris.
Desde a Revolução Francesa que a figura da mulher é usada como ícone republicano. E é, também, assim, no caso português... é usada como símbolo de liberdade, de mãe protectora da pátria, de mulher do povo anónima cheia de força que luta pela revolução. Curiosamente, esta imagem cívica do feminino irá constrastar, nos séculos vindouros, com a exclusão das mulheres na participação política. Esta será apenas uma realidade do século passado com a conquista do direito ao voto. Esta representação condensa, por isso, uma das inúmeras contradições da história que se materailizará na resistência e luta pela cidadania e iguladade de direitos que se perpetuam até hoje...
Mais informações
21 440 63 36 ou ana.jardim@cm-oeiras.pt