quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Livros Proibidos - Ciclo de Conversas. "Cândido ou o Otimismo", de Voltaire. Com Frei Bento domingues

Logo mais à noite, às 21H30, terá lugar, no Auditório da Biblioteca Municipal de Oeiras mais uma sessão do projeto Livros Proibidos, sobre um texto incontornável: Cândido, de Voltaire. Pela voz e olhar do carismático Frei Bento Domingues.

Cândido, é um texto publicado em 1759, um dos vários que foram escritos também em consequência do terrível terramoto de Lisboa, em 1755, uma das cidades à época mais prósperas, com um importante porto comercial. É considerado a obra-prima de Voltaire e conta a história de um jovem e o seu tutor, o Professor Pangloss, um otimista cuja mantra é "tudo vai pelo melhor no melhor dos mundos possíveis". Um dos poucos livros sobre o otimismo escrito por um pessimista irreverente. O nosso autor, considerado um homem forte das Luzes, desenvolve ao longo do texto, com um registo sarcástico e humorístico, uma crítica a esta máxima ingénua de Leibniz, procurando refletir sobre conceitos como razão, arbitrariedade, o mal e/ou o bem... Conceitos estruturantes da nossa identidade e também uma certa conceção de corpo e do modo de ser humano (crítica aos lugares do poder e da religião organizada e respetivas punições corporais, verdadeiros obstáculos ao exercício crítico e do livre exame da razão). Grande defensor da liberdade é também conhecido pelos seus slogans como "Écrasez l' infâme", expressão com que assinou muitas das suas cartas. No final desta história, este Cândido de Voltaire, depois de ter passado por tantos tormentos e dificuldades, depois da sua amada, Cunugendes, ficar feia e gorda, dedica-se ao cultivo da sua horta, ao lado da sua mulher e da Velha, referindo que o trabalho evita três grande males: o vício, a necessidade e o tédio. Aliás, a enigmática última frase do texto - "devemos é cultivar o nosso jardim" - valeu dezenas de interpretações diferentes ao longo dos tempos. Um livro intemporal e que continua atual, não fosse Voltaire um dos maiores atores sociais e políticos de todos os tempos e que viveu numa época de viragem conhecida como o Século das Luzes.


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terça-feira, 14 de novembro de 2017

Livros Proibidos - Ciclo de Conversas. A Casa dos Espíritos, de Isabel Allende. Com a atriz Maria João Luís.

É já amanhã, dia 15 de Novembro, às 21H30 que terá lugar a sexta sessão do projeto Livros Proibidos, desta feita dedicada à obra de Isabel Allende, A Casa dos Espíritos. Pelo olhar da atriz Maria João Luís e a moderação de Maria Flor Pedroso.

A Casa dos Espíritos, de Isabel Allende é uma daquelas obras marcantes no imaginário e universo de qualquer leitor do mundo. Um texto de riqueza literária notável, onde as personangens femininas são estranhos anjos que acordam ao amanhecer e que se revelam ou não aos simples mortais. Entidades quase incorpóreas que não se demoram na simples temporalidade do quotidiano, mas acabam por ganhar uma dimensão poética, num outro plano onde se concretizam. A razão da sua inclusão num painel de Livros Proibidos dedicado ao tema Corpo e Identidades prende-se também com a riqueza e complexidade deste universo feminino que atravessa várias gerações da família Trueba. Os nomes são já e por si só simbólicos e metafóricos desta realidade: Nívea, a claravidente Clara, a estranhamente bela Rosa ou Alba. São personagens inesquecíveis, transcendentais ou até mesmo viciantes para o universo masculino que, num contexto de uma sociedade patriacal, não as consegue dominar. Elas estão muito para além deles… Por outro lado, trata-se de um texto escrito pela nossa autora durante o seu exílio forçado, na exuberante Venezuela da década de 80 e que tem no seu enredo ingredientes simultanemanete reais e ficcionados sobre a revolução socialista chilena (com um dos grandes protagonistas Salvador Allende, primo de seu pai,  e o golpe de estado de Augusto Pinochet com a subsequente ditadura que se instalou no Chile). Foram, de resto, estes acontecimentos e a herança do nome Allende que obrigaram a nossa autora a sair da sua pátria, onde tinha toda a sua vida estabelecida, e iniciar uma diáspora que só terminaria aquando do restabelecimento da democracia no seu país. Por tudo isto, A Casa dos Espíritos seria obrigatoriamente um texto a revisitar, não só pelo encantamento, densidade e complexidade das suas personagens que se tornam numa marca difícil de esquecer, mas por constituir um daqueles casos de sucesso literário e de vendas, ajudando a contextualizar alguns dos acontecimentos mais importantes chilenos e que se inscrevem na tentativa humana de lutar sempre por um mundo melhor, com mais oportunidades para todos e mais justiça. O percurso da nossa autora, que é já longo, fala bem sobre todas as causas que já abraçou e aventuras que vivenciou. Porque não se pode contar a história sem viver dentro dela. Depois, e naturalmente, pela enorme capacidade que tem em manejar as palavras, que brotam dentro dela como sementes lançadas em terra fértil. Uma vocação que não se explica...
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segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Livros Proibidos - Ciclo de Conversas. Adiamento da sessão de 20 de Set., com Pedro Marques Lopes


Por motivos pessoais e de saúde de Pedro Marques Lopes, a sessão prevista para dia 20 de Setembro vai ser adiada. Será anunciada nova data brevemente. Esteja atento à divulgação. Agradecemos, desde já, toda a compreensão e pedimos desculpa pelo incómodo que este adiamento possa causar.

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segunda-feira, 19 de junho de 2017

Livros Proibidos - Ciclo de Conversas. Sessão de dia 21 de Junho adiada

Por imprevistos relacionados com a saúde de Maria Teresa Horta, a sessão do projeto "Livros Proibidos", marcada para a próxima quarta-feira, dia 21 de Jun., às 21H30, no Auditório da Biblioteca Municipal de Oeiras, fica adiada, para data a anunciar a partir de Setembro.
Agradecemos a melhor compreensão e pedimos desculpa pelo incómodo causado!


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quinta-feira, 27 de abril de 2017

Livros Proibidos - Ciclo de Conversas. "O Nome da Rosa", de Umberto Eco. Com Ricardo Araújo Pereira

É já no próximo dia 24 de Maio, quarta, às 21H30, que terá lugar a 4ª sessão do projeto Livros Proibidos, este ano dedicado ao tema "Corpo e Identidades". O Nome da Rosa, publicado em 1980, é o primeiro e mais célebre romance de Umberto Eco e reúne todos os temas que faziam e continuaram a fazer parte do universo de interesses e investigação do nosso autor como semiótica, religião, linguagem, história medieval, Europa, entre outros. Em forma de romance policial, o enredo situa-se em 1327, século XIV, na Itália, numa abadia isolada do mundo e tendo com protagonista um monge beneditino e o seu ajudante. O mistério vai se desenrolando em torno de uma série de mortes inexplicáveis que, afinal, estão relacionadas com a leitura de um livro proibido. Um enredo que retrata uma determinada conceção do mundo e do saber, em que as bibliotecas, como reservatórios do saber e lugares da preservação da memória, têm um papel preponderante.
Durante a Idade Média as Bibliotecas eram lugar escondidos, labirínticos, vedados ao olhar do cidadão comum, normalmente ligadas às instituições religiosas como Abadias ou Mosteiros. Os livros que neles existiam estavam apenas acessíveis ao olhar do religioso, do bibliotecário e do seu auxiliar. A Biblioteca descrita no romance O nome da rosa, de Umberto Eco apresenta-se-nos como símbolo de uma Igreja conservadora, mestra desconfiada e receosa que obstrui o conhecimento de determinadas doutrinas e que pretende impedir qualquer progresso intelectual e material, com o objetivo de manter o seu domínio sobre o mundo. A mente que rege a biblioteca-labirinto da Abadia transforma-a “num lugar onde os segredos permanecem encobertos” e não um meio para revelar os segredos da natureza e da História tendo em vista o bem-estar material ou natural da humanidade. O livro proibido deste enredo relatado por Eco é a Poética de Aristóteles, mais concretamente, o segundo livro dedicado à comédia e ao riso. A razão pela qual esta obra é selecionada não tão por ser alvo de censura, mas porque apresenta uma caracterização de corpo e de saber própria da Idade Média: o corpo e saber contido, proibido, mortificado e paradoxal sob o domínio da instituição religiosa. Ideia de culpa, de perversão, necessitando ser dominado e purificado através da punição. A interdição do riso porque “Deus não ri”.
Com Ricardo Araújo Pereira humorista e escritor, que tem dedicado tempo e reflexão à questão do riso, como uma das caracteristicas mais importantes da subjetividade humana. A moderação é de Nicolau Santos.

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quarta-feira, 12 de abril de 2017

Livros Proibidos - Ciclo de Conversas. "Trópico de Câncer", de Henry Miller. Com Rita Ferro

No próximo dia 21 de Abril, sexta-feira, às 21H30, terá lugar a terceira sessão do projeto Livros Proibidos, desta feita dedicado à uma obra polémica e muito conhecida. Henry Miller ficou célebre com a obra Trópico de Câncer, publicada em 1934 e que abalou a literatura da sua época. Trata-se de um romance autobiográfico de tom confessional, contado por Joe, um ilustre desconhecido, norte-americano, o alter-ego do autor e que narra as suas peripécias através das suas andanças por Paris. Com empregos precários, ou até desempregado, Joe vagabundeava pela vida, procurando sentido para uma existência irremediavelmente perdida nas ruas e vielas do sofrimento. Quase todo o enredo se desenrola em Paris, pelo seu glamour e sedução, mesmo no meio da miséria. O único obstáculo são as pessoas, no caso, os Parisienses, confirmando a célebre frase de Sartre O inferno são os outros.
Frequentemente classificado como literatura erótica é, na verdade, uma narrativa que o aproxima do existencialismo, com uma linguagem livre e que fala da natureza humana como instintiva e pulsional, acima de tudo. Joe, de Trópico de Câncer, faz lembrar algumas personagens célebres, como Michkin de O Idiota, de autores cuja influência literária em Henry Miller é inegável, como Dostoievski ou Camus. O tom melancólico da obra resulta da monotonia de uma vida em que o sexo, a comida e a bebida são os efúgios do inferno mundano, como se fossem necessidades básicas, as únicas que poderiam tornar a vida simplesmente suportável. Um livro suficientemente polémico e que permaneceu proibido durante 30 anos nos EUA. Só em 1961 o livro viria a ser publicamente autorizado.
Com Rita Ferro, escritora conhecida do grande público e autora de vários romances. A moderação é de Ricardo Costa.
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BMO, Tel. 214406330 ou ana.jardim@cm-oeiras.pt


terça-feira, 14 de março de 2017

Livros Proibidos - Ciclo de Conversas. O Amante de Marguerite Duras. dia 24 de Março. Com Ana Gomes

No próximo dia 24 de Março, sexta-feira, às 21H30, no Auditório da Biblioteca Municipal de Oeiras terá lugar a segunda sessão do projeto Livros Proibidos. O livro em análise será O Amante, de Marguerite Duras. Trata-se de um dos maiores sucessos desta escritora que marcou a literatura francesa do século XX e o segundo livro a ser abordado no âmbito da temática definida para este ano e que é Corpo e Identidades. Um texto considerado autobiográfico e que relata a intensa paixão amorosa e sexual entre uma adolescente francesa, branca e pobre, de formação ocidental, e um chinês de classe alta da Indochina. Uma narrativa que expõe o relacionamento escandaloso e proibido entre uma jovem europeia e um oriental, algo inconcebível segundo o quadro normativo e as convenções sociais à época. Por outro lado, é também a afirmação de uma nove perspetiva, em que a mulher aparece como figura dominante, desconstruindo uma visão do feminino construída na matriz da solidão, da fragilidade e da dependência emocional. São diversos os fatores que conduzem a jovem até à relação intensa mas efémera com o seu amante: a situação económica familiar precária e a sua disfuncionalidade, o abandono, a pobreza.
Este romance retrata não só o choque e a barreira que a cultura e os seus usos e costumes podem operar nas relações humanas, mas, sobretudo, o conceito de liberdade e a vivência erótica do corpo como prática interdita para as mulheres até há bem pouco tempo. Uma obra proibida e censurada em muitos países do mundo, justamente por fazer a apologia da livre vivência do amor erótico e da mulher esfíngica que destrói.
Com Ana Gomes, membro do Parlamento Europeu desde 2004. Diplomata de carreira que suspendeu para se dedicar à atividade política. A moderação é de Ricardo Costa.
Consultar o guião da sessão.
Próxima sessão:
Dia 21 de Abr., sexta-feira, às 21H30
Trópico de Câncer, de Henry Miller
Com Rita Ferro
Moderador: Ricardo Costa

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Livros Proibidos| Ciclo de Conversas| "Corpo e Identidades"| 4º Ciclo



No passado dia 15 de Fevereiro, no Auditório da Biblioteca Municipal de Oeiras, teve lugar a 1ª sessão deste 4º Ciclo, este ano dedicado ao tema Corpo e Identidades. Um tema que tem na sua génese não só olhares e reflexões que atravessam toda a história do pensamento, sublinhando o seu caráter polémico, mas, sobretudo, porque a sua discussão no espaço público adquiriu, nos últimos tempos, uma importância acrescida e vital, com evoluções significativas e históricas ao nível legislativo, social e cultural.
Abrimos com uma das obras obrigatórias e incontornáveis nesta abordagem e uma das mais lidas de sempre: O Segundo Sexo, de Simone Beauvoir. Quase 70 anos volvidos sobre a sua primeira publicação, os temas que a autora discute neste célebre tratado sobre a condição da mulher (expressão que a própria Beauvoir detestava) continuam a ser pertinentes e a manter acesso um debate clássico... Cruzando argumentos de Biologia, de Antropologia, de Psicanálise e Filosofia e outras áreas do saber, a obra que esteve em análise revela os desequilíbrios de poder entre sexos e a posição do outro que as mulheres ocupam no mundo. O Segundo Sexo é uma obra essencial do chamado feminismo e as suas considerações acerca dos condicionamentos sociais que levam à construção de categorias como mulher ou feminino - e que estão na base da opressão das mulheres - são hoje amplamente aceites.
O livro foi comentado pela Isabel Moreira, deputada, política e desde sempre muito interventiva nesta e em todas as causas de minorias, moderado pelo jornalista Ricardo Costa, numa sessão em que a afluência de público ultrapassou expetativas e que o debate foi muito participativo, também por jovens, a comprovar que existem temas e autores que rompem com barreiras geracionais e convocam sempre a discussão.
Consulte o guião de leitura desta sessão.

Próxima Sessão
Dia 24 de Março, Sexta, 21H30
O Amante, de Marguerite Duras
Por Ana Gomes
Moderação: Ricardo Costa
Informações
21 440 63 30



segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Livros Proibidos, Ciclo de Conversas. Corpo e Identidades. Edição 2017

Para 2017 e com o objetivo de diversificar e ampliar os horizontes de leitura, propõe-se a convocação de um tema, Corpo e Identidades, que tem na sua génese não só olhares e reflexões que atravessam toda a história do pensamento, sublinhando o seu caráter polémico, mas, sobretudo, porque a sua discussão no espaço público adquiriu, nos últimos tempos, uma importância acrescida e vital, com evoluções significativas  e históricas ao nível legislativo, social e cultural. Um tema que gravitará ao redor de questões como feminismo, igualdade de género, erotismo, corpo, identidade, família, etc. Existem, neste momento, comunidades fortes como, por exemplo, a plataforma Capazes a discutir muitos destes temas. Uma aposta temática deste género permitir-nos-á não só convocar livros muito diferentes entre si e de períodos históricos díspares (sendo assim possível fazer um acompanhamento histórico sumário de algumas destas reflexões), como também diversificar os possíveis oradores convidados e tentar captar novos públicos. A lista de livros possíveis é a seguinte:

O Erotismo, Georges Bataille, 1957 (Ensaio)
O Segundo Sexo, Simone de Beauvoir, 1949 (Ensaio), dois volumes
O Trópico de Câncer, Henry Miller (Romance),
Poesias Eróticas, Burlescas e Satíricas, Bocage, 1854 (Poesia)
Novas Cartas Portuguesas, Maria Velho da Costa, Maria Isabel Barreno e Maria Teresa Horta, 1971, Cartas)
O Amante, Marguerite Duras, 1984 (Romance)
A Idade da Razão, Jean Paul Sartre, 1945 (primeiro romance de uma trilogia chamada Os Caminhos da Liberdade)
O Nome da Rosa, Umberto Eco, 1980 (Romance)
Lisístrata, Aristófanes,  411 a.C (Comédia)
Metamorfoses, Ovídio, 1953
Três ensaios sobre a Teoria da Sexualidade, Freud, 1905 (Ensaio)


Em Fevereiro abrimos este 4º Ciclo com uma obra controversa e incontornável: O Segundo Sexo, de Simone Beauvoir. Simone de Beauvoir, que estudou filosofia na Sorbonne (onde conheceu o companheiro de toda a sua vida, Jean Paul Sartre) e editou a Revista Tempos Modernos, ficou conhecida pelo ativismo no movimento francês de emancipação das mulheres mas, sobretudo, pela vasta obra literária, filosófica e autobiográfica publicada ao longo da sua vida. Este ensaio, um dos mais paradigmáticos de todos os tempos, alvo de censura e proibição, levanta questões que se prendem com a luta da autora de uma vida inteira: igualdade de género, denúncia da opressão das mulheres, destruição do conceito de natureza feminina… Uma das grandes acusações que lhe foi feita, à época da sua publicação, pela elite intelectual francesa, foi a de ridicularizar os homens… Uma afirmação que atesta bem do preconceito e conceitos que foram alimentados durante séculos a propósito das leituras do feminino e do corpo. Mais de 50 anos volvidos sobre a primeira publicação, os temas que Simone de Beauvoir discute neste tratado sobre a condição da mulher continuam a ser pertinentes e a manter acesso um debate clássico, cruzando argumentos de Biologia, de Antropologia, de Psicanálise e Filosofia e outras áreas de saber, procurando revelar os desequilíbrios do poder e a posição do outro que as mulheres ocupam no mundo. O Segundo Sexo é uma obra essencial do feminismo e as suas considerações acerca dos condicionamentos sociais que levam à construção de categorias como mulher ou feminino... Com Isabel Moreira, política, deputa e comentadora . Defensora da igualdade e dos direitos das mulheres. Uma voz no feminino…


A não perder!

Ver a obra de Simone de Beauvoir no catálogo das Bibliotecas Municipais de Oeiras.


Informações
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ana.jardim@cm-oeiras.pt

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Livros Proibidos, Ciclo de Conversas. Sessão de dia 23 de Novembro











No passado dia 23 de Novembro, o projeto Livros Proibidos recebeu D. Januário Torgal para falar sobre A Criação do Mundo de Miguel Torga. Uma sessão animada em que tivemos oportunidade de partilhar a visão e leitura do nosso convidado sobre este autor maior da literatura portuguesa. Uma oportunidade para revisitar alguns dos lugares que desempenharam um papel fundamental na construção da sua identidade, como pessoa e escritor. Era médico de profissão e poeta de vocação. Foi dos autores mais fustigados pelo lápis azul dos censores do Estado Novo, por ser um grande humanista, defensor convicto dos valores da liberdade! Obrigatório...
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Próxima Sessão
14 Dez, quarta-feira, 21H30
Assalto ao Santa Maria
De Henrique Galvão
Com Camilo Mortágua
Moderador: Maria Flor Pedroso

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Conferência "Livros Proibidos" com José Vilhena e Abel Manta




Hoje, às 21H30, no Auditório da Biblioteca Municipal de Oeiras, terá lugar a 7ª sessão do projeto Livros Proibidos. Os autores em análise serão José Vilhena e Abel Manta.
José Vilhena foi escritor, cartoonista e pintor. Um grande sátiro da condição portuguesa, em ditadura e liberdade. Desde a década de 1950 que se dedicou a satirizar, sem poupar ninguém, dos poderosos ao povo oprimido, a realidade política e social do país em que nasceu. Antes da Revolução de Abril viveu com a censura à perna de forma quase ininterrupta, ou não tivesse assinado quase seis dezenas de livros, todos censurados!
Abel Manta foi arquiteto, pintor, ilustrador e cartoonista. Foi um dos maiores cartoonistas portugueses da década de 1960 e 1970. Nos anos anteriores e posteriores ao 25 de Abril publicou regularmente, em jornais de grande tiragem, trabalhos emblemáticos da situação político-social portuguesa. Nesse período de transição (queda da ditadura e implantação do regime democrático). Dois autores, dois registos importantes de luta e resistência…
Com António, como é conhecido enquanto cartoonista e caricaturista político do Expresso. Um autor muito respeitado, com uma carreira recheada de prémios, muito conhecido sobretudo pelo seu mais célebre cartoon, de 1993, intitulado O Preservativo Papal… A moderação é de Maria Flor Pedroso.
Apareça!


Próxima sessão:
Dia 23 de Novembro, quarta, 21H30
A criação do mundo, de Miguel Torga
Com D. Januário Torgal
Moderação: Maria Flor Pedroso


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terça-feira, 20 de setembro de 2016

Livros Proibidos - Ciclo de Conversas. "Esteiros", de Soeiro Pereira Gomes, com Clara Ferreira Alves





Após o período de férias, e no regresso dos Livros Proibidos, escolhemos abrir com o livro Esteiros, de Soeiro Pereira Gomes. Este texto retrata a história de cinco meninos que trabalhavam em vez de ir à escola, e é  considerada a obra-prima de Soeiro Pereira Gomes. A miséria retratada em Esteiros é mais do que ficção: é a realidade de um país pobre, sem esperança, onde mais de metade da população é analfabeta.
Da janela do quarto, Soeiro Pereira Gomes observava a luta trágica dos operários para sobreviver. Entre os homens, havia crianças em idade de aprender as primeiras letras. Recolhiam o barro dos estreitos canais do rio Tejo, os esteiros, para dele fazerem telhas e tijolos. Trabalhavam a troco de um salário miserável, que os condenava à mendicidade, a uma vida sem saída da pobreza. O autor via tudo da janela da sua casa, em Alhandra, e refletia sobre a injustiça opressora e exploradora, organizada em favor dos mais fortes. Em vez de calar, prefere denunciar com palavras o regime de Salazar.
Para falar deste texto contaremos com a presença de Clara Ferreira Alves. A moderação é de Nicolau Santos.
Público em geral. Entrada Livre
Contactos:
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quarta-feira, 18 de maio de 2016

Livros Proibidos - Ciclo de Conversas. "As lutas operárias contra a carestia de vida em Portugal", com José Pacheco Pereira






Logo à noite, às 21H30, terá lugar a 4ª sessão do projeto Livros Proibidos. O livro em análise é de José Pacheco Pereira, intitulado As lutas operárias contra a carestia de vida em Portugal: a greve geral de Novembro de 1918Este texto, publicado em 1971, marca a estreia literária de José Pacheco Pereira. Trata-se de um estudo sobre a História Portuguesa, no que diz respeito às características gerais do proletariado português e dos movimentos operários entre 1871 e 1918, ano em que terminou a Primeira Guerra Mundial. Um ano muito especial para a Europa e particularmente para Portugal, caracterizado por muitos tumultos. Havia escassez de bens, assaltavam-se as mercearias, as lojas, os armazéns de mantimentos. É um período de grande instabilidade política com tentativas de instauração de regimes ditatoriais e com assassinatos políticos. Um ano atípico e de grande violência em Portugal, que contraria a ideia amplamente defendida de que Portugal é um país de brandos costumes. É o ano de assassinato por razões sociais, é o período em que o patronato português, à imagem do espanhol, cria um exército de ação armada constituído por pistoleiros cujo objetivo era furar as greves. Este livro seria apreendido e proibido de circular pela PIDE que viria a instaurar um processo ao nosso autor, sob a direção de António Rosa Casaco. Após uma rusga da PIDE à sua casa, a 3o de Abril de 1973, viveu na clandestinidade, da qual só sairia completamente após o golpe de 11 de Março de 1975.

O livro dito e comentado pelo próprio autor. A moderação é de Ricardo Costa


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quarta-feira, 20 de abril de 2016

Livros Proibidos - Ciclo de Conversas. Manhã submersa, de Vergílio Ferreira. Com Lauro António


Logo à noite, às 21H30, terá lugar mais uma sessão do projeto Livros Proibidos. O livro em análise será Manhã Submersa, de Vergílio Ferreira, pela voz de Lauro António. A não perder!


Manhã Submersa, de Vergílio Ferreira, é um texto publicado em 1954, baseado em aspetos autobiográficos dos tempos de adolescência do autor no Seminário do Fundão. O livro retrata a vida de um adolescente no mundo austero do Seminarismo. Um lugar retratado como uma prisão, local de clausura, símbolo de terror e do exercício de um poder déspota e totalitarista, reproduzindo mentes acéfalas, disciplinadas e acríticas. Motivos suficientes para ser sancionado pelos agentes do Estado Novo, na defesa dos valores da ditadura.
A obra foi adaptada para cinema, com o título homónimo, em 1980. A realização é de Lauro António, sendo Vergílio Ferreira o ator principal, na figura do Reitor do Seminário. O filme ganhou alguns prémios e foi selecionado para o óscar de melhor filme estrangeiro. Razões suficientes para ter como convidado o cineasta Lauro António para nos falar de um texto e de um autor que conhece na intimidade. A moderação é de Nicolau Santos.

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terça-feira, 22 de março de 2016

Livros Proibidos - Ciclo de Conversas. "Podem chamar-me Eurídice", de Orlando Costa

Amanhã terá lugar a segunda sessão do projeto Livros Proibidos, cujo livro em análise será Podem chamar-me Eurídice, de Orlando da Costa. Trata-se de uma obra publicada em 1964, que relata uma história de amor que tem no contexto histórico a vivência da clandestinidade e repressão da subversão universitária dos anos 60. É também uma metáfora do assassínio do escultor José Dias Coelho, abatido a tiro por agentes da PIDE. Todo este contexto literário e a força narrativa, na defesa de um Estado onde os valores da liberdade, da solidariedade e da democracia fossem efetivamente uma realidade, motivaram um processo de censura e proibição acérrimo, transformando este livro num dos textos capitais do Index do Estado Novo em Portugal. Para falar da sua memória vai estar a escritora Hélia Correia e o editor Manuel Alberto Valente.


Próximas sessões
Dia 20 de Abril, quarta, 21H30
Manhã Submersa
de Vergílio Ferreira
com Lauro António



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terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Livros Proibidos - Ciclo de Conversas. Manuel Alegre na sessão de dia 17 de Fevereiro



Em Fevereiro inicia-se o terceiro ciclo deste projeto, subordinado ao tema Livros Proibidos em Portugal. Estado Novo. O objetivo é tentar dar uma visão suficientemente abrangente, capaz de  apresentar o leitmotiv que presidiu à proibição e censura no Estado Novo. Foram 900 livros identificados como tendo sido proibidos pela ditadura entre 1993 e 1974, numa lista compilada pelo investigador José Brandão. José Vilhena, Urbano Tavares rodrigues, Manuel Alegre, Pacheco Pereira, entre muitos outros, fazem parte do Index do Estado Novo que não convivia bem com a sátira política, o erotismo e a liberdade de pensamento, censurando e erradicando toda a produção literária e cultural que não exaltasse os valores do Estado Novo e o seu representante máximo: Salazar.
Começaremos, justamente, com Manuel Alegre e duas obras icónicas da censura em Portugal: Praça da Canção (1965) que celebrou, em 2015, 50 anos da sua primeira edição, tendo sido publicada pela Dom Quixote uma edição comemorativa, com prefácio de José Carlos Vasconcelos e O Canto e as Armas (1967).
São poemas que muitos sabem de cor, cantaram e disseram clandestinamente, como resistência à ditadura salazarista. e "proféticos": falaram do "país de Abril" anos antes do 25 de Abril. Manuel Alegre escreveu a maioria deles no exílio e os livros Praça da Canção e O Canto e as Armas, proibidos pela censura, durante o fascismo, passaram em fotocópias, de mão em mão, tornaram-se hinos de uma verdadeira lírica da liberdade.
Esperamos por si!
Entrada Livre

Próximas sessões



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quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Livros Proibidos - Ciclo de Conversas. Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica, de Natália Correia. Com Helena Roseta


Hoje à noite realizaremos a última sessão de 2015 dos Livros Proibidos. O objeto de relexão será a Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica, de Natália Correia. Publicada em 1966, pela editora Afrodite, de Fernando Ribeiro de Mello, de imediato foi apreendida pela PIDE, tendo a sua organizadora, o editor e muitos dos poetas que fazem parte desta coletânea e vivos à época, sido julgados e condenados. Na altura, ainda em pleno Estado Novo, a publicação em causa era considerada ofensiva da moral e dos bons costumes, pelo que a sua leitura não era recomendável. Revisitá-la-emos hoje à noite pelo olhar de Helena Roseta e a moderação de Ricardo Costa.
 
Apareça!
 
Consulte o Guião de Leitura da sessão aqui
 
Este Ciclo de Conversas regressa em Fevereiro de 2016 e terá como moderadores Ricardo Costa, Nicolau Santos e Maria Flor Pedroso. O tema será Livros Proibidos em Portugal. Estado Novo. Até lá, boas leituras.
 
Próxima sessão:
17 de Fev., quarta-feira, 21H30
Praça da Canção e O Canto e as Armas
Manuel Alegre
Por Manuel Alegre
Moderação: Ricardo Costa
 
Informações:
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quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Livros Proibidos - Ciclo de Conversas. O Código Da Vinci. Dan Brown


Realizámos ontem mais uma sessão do projeto Livros Proibidos - Ciclo de Conversas, dedicado ao Código Da Vinci, de Dan Brown. Com Frei Fernando Ventura e a moderação  de Maria Flor Pedroso. Uma sessão com grande afluência de público onde se dabateu este romance de ficção, um dos maiores fenómenos editoriais de sempre...
 
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terça-feira, 10 de novembro de 2015

Livros Proibidos - Ciclo de Conversas - "Portugal Amordaçado", de Mário Soares



No passado dia 21 de Outubro, o projeto Livros Proibidos recebeu o jornalista e comentador Daniel Oliveira que nos falou do "Portugal Amordaçado", de Mário Soares, publicado em 1972. Foi uma sessão dinâmica e como uma assistência que superou todas as expectativas.
Guião da Sessão aqui
As próximas sessões estão já definidas e são as seguintes:
Dia 9 de Dez., quarta-feira, às 21H30
O Código Da Vinci de Dan Brown
Com Frei Fernando Ventura
Moderação: Maria Flor Pedroso

Dia 16 de Dez., quarta-feira, às 21H30
Antologia Portuguesa de Poesia Erótica e Satírica de Natália Correia
Com Helena Roseta
Moderação: Ricardo Costa
 
Esta sessão contará ainda com a apresentação de um áudio de Natália Correia, dizendo o conhecido poema Defesa de um Poeta, com que respondeu à PIDE pelo processo de censura que lhe foi movido a propósito deste texto.

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segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Livros Proibidos - Ciclo de Conversas. Dia 10 de Setembro, quinta-feira, 21H30, Dinossauro Exclentíssimo, com António Bagão Félix




Dinossauro Excelentíssimo
José Cardoso Pires
Com António Bagão Félix
Moderador
Maria Flor Pedroso
Auditório da Biblioteca Municipal de Oeiras
Dia 10 de Setembro, quinta-feira, às 21H30

Em Setembro os Livros Proibidos estão de regresso com um dos maiores autores de sempre, do mundo e da língua portuguesa. Dinossauro Excelentíssimo, é uma  fábula satírica de José Cardoso Pires que retrata a vida de Salazar e a ditadura do Estado Novo em Portugal. Foi escrito em Londres em 1970 e publicado pela primeira vez em 1972 pela Editora Arcádia. As ilustrações são de Abel Manta que, naquela altura, aceitou participar nesta aventura sem hesitar Neste caso em particular, e apesar de o livro ter sido publicado ainda no regime fascista, é sempre um exemplo paradigmático das dialéticas da censura, presentes entre o poder político, os escritores e as editoras. O livro de Cardoso Pires, apesar de polémico e de constituir um dos retratos mais assertivos de Portugal suscitando uma vigilância encapotada, acabou por servir de exemplo na então Assembleia Nacional, de que a censura não existia em Portiugal e que a liberdade de expressão era uma realidade… Foi uma publicação consentida com um propósito político: silenciar! É o nosso autor que o confirma numa das muitas entrevistas que deu em vida…
Quando o Dinossauro saiu; regressei de Londres para estar presente ao lado do editor e do ilustrador no que viesse a acontecer mas, para assombro de todos nós, em vez da excomunhão que era de esperar, o livro ultrapassou a Censura e teve um acolhimento indescritível. Digo «ultrapassou» porque aconteceu aquele escândalo monumental na Assembleia Nacional, quando o professor Miller Guerra teve a coragem de afirmar que não havia liberdade em Portugal. Foi uma sessão histórica, um berro de heresia! O deputado ultrafascista Casal Ribeiro correu para Miller Guerra a espumar de raiva e para o desmentir citou como prova o infame Dinossauro Excelentíssimo que acabava de ser posto à venda em toda a parte. E, pronto, a partir daí a Censura ficou de mãos atadas. Já não podia apreender o livro que o deputado salazarista tinha citado estupidamente como demonstração da liberdade do regime, e, menos ainda, promover a prisão do autor. Simplesmente, e isso foi realmente um carnaval repugnante, uma vez que a censura oficial se viu impedida de atuar, apareceram as censuras voluntárias de alguns particulares.
Pela voz de António Bagão Félix. A não perder.
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Guião de Leitura da Sessão