segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Cenas da Foz

Autor: Camilo Castelo Branco

É nestas crónicas despretensiosas, cheias de humor e até de autocrítica ao estilo habitual do A. que Camilo ainda nos fascina pela forma como maneja a nossa língua.

Guilherme António Silva de Oliveira, 73 anos, Aposentado

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quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

O Puro e o Impuro

Autor: Francisco José Viegas


Senti um enorme encantamento ao verificar que muitas das suas poesias anteriores a este Puro e Impuro eram já bonitas, fortes, intensas e interessantes do que posso dizer; mas, agora arrebataria bastantes mais entardeceres e alvoradas em mim … Sempre tive uma queda para o gosto da pureza e nestes símbolos que faz transparecer, como não me comover - «Antigamente havia em mim um nome gravado a fogo e eu morri por ele. Eu fechava os olhos e o nome pedia-me a luz, a manhã, a música.» (do autor na obra em causa). Ah! e registos/ impressões poéticas plenos de história, de pequenas coisas da terra, da vida e tão simplesmente escritos!...


João Albufeira, 33 anos, Jornalista

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sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Fahrenheit 451

Autor: Ray Bradbury


É um livro de ficção científica, portanto o tema é estravagante. Aterroriza, deprime, lembra os acontecimentos tenebrosos do nazismo de que tantos fizeram eco.
Os bombeiros que pegam fogo em vez de o apagar. São cruéis em vez de altruístas. Aquele “cão mecânico”, “a salamandra” que tem uma actuação pavorosa…


Maria José Antunes de Almeida Gomes, Aposentada


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segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

O Sentimento de si: o corpo, a emoção e a neurobiologia da consciência

Autor: António R. Damásio



É indiscutivelmente uma obra única. É a simbiose da psicologia com a neurologia numa linguagem extremamente acessível e “apaixonante”. O leitor tem acesso a dados actuais científicos descritos de uma forma “riquíssima” e que só ele sabe fazê-lo.

Vânia Maria Dias, 43 anos, Bibliotecária


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quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Chocolate

Autor: Joanne Harris


Encantei-me em absoluto com a imagética constante do Chocolate, comestível seguramente, mas acima de tudo, para mim, como riqueza de apuramento e exacerbamento dos sentidos… realmente de beber pelos olhos! Pois, a tradução é capaz de ser um pouco louca, mas mais loucos quem não arisca a magia da comida da leitura e espírito viajeiro ou de olhar com a mala ás costas?

Sofia Sousa, 30 anos, Científica da Educação

Pese embora o excesso de descritivos, ao lê-lo, encontra-se sempre um ambiente de mistério e de oculto que prende do princípio ao fim.Não são apenas os nossos olhos que lêem, mas o nosso olfacto quase sente todos aqueles aromas do chocolate e outras que parecem transmitir-se às nossas papilas gustativas.Parece inverosímil que num período de 50 dias (11/2 a 31/3) tantos acontecimentos decorram provenientes da magia da protagonista.
Maria José Gomes, 70 anos, Bancária Aposentada

Admirei a riqueza descritiva do romance autêntico que é este Chocolate, que também deu um excelente e verosímil filme. Lamento apenas que a tradução, que considero pretensiosa, tenha estragado bastante o gozo que a obra me causou (na linha da chancela tradutore-traditore da minha memória). Desnecessários os abundantes galicismos (repetitivos os Ur. Le criré – Padre Cura ou Prior – Mon père – meu pai) e a grossa asneira do 1.º período da pág. 51 (letter é carta e letra ao mesmo tempo ?!...).
Francisco Adolfo Gomes, 73 anos, Reformado da EDP

entrada n.º 0080

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

O Alfaiate do Panamá

Autor: John Le Carré


Sobressaiu na trama do livro os artifícios utilizados pelas personagens do Alfaiate e do Ornard sendo a do primeiro que mais apreciei pois conseguiu subir na vida não só com aldrabices mas com a ajuda da sua profissão que desempenhava eficientemente e pela vida e pelo amor que dedicava à sua família. Enquanto a Osnard era apenas um “Bom vivant”.

Maria José Antunes, Bancária Aposentada

ver este título no catálogo da biblioteca

entrada n.º 0078

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Resistir

Autor: Ernesto Sabato



Absolutamente enternecedor em extasiante cogitação pelo que me parece ser bem central para a existência terrena, na consciência dos homens e até dos seres vivos em geral. Fala num prisma do pessoalmente, para momentos ínfimos do dia, entre grandes conquistas, profundas guerras, até e sempre transversal e finalmente culminando, na morte que o leitor prepara com o escritor, a sua partida tão desgraçadamente, ainda que apacificada, anunciada pelo filósofo, ex-anarqua, activista da polis, justiceiro das gentes, das ideias e coerências; Ofertando-nos mais... este testemunho do tamanho do mundo, para um mundo com algum resistir? ...

Sofia Sousa, Ciêntífica da Educação, 31 anos


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sexta-feira, 16 de novembro de 2007

A Metamorfose

Autor: Franz Kafka


Num ambiente estranho e claustrofóbico, impregnado pelo inusitado e típico senso de humor de Kafka, somos alertados, através da história de um Homem que se metamorfoseou num insecto, para um conjunto de questões actuais e pertinentes.
Surge-nos uma metáfora do mundo moderno, na qual encontramos o Ser Humano alienado pela sociedade, marginalizado, vítima de total incomunicação.Deparamo-nos com o pessimismo do indivíduo face ao futuro, o receio da perda de identidade humana e a importância das relações familiares, nomeadamente o papel do Pai.
Estamos perante uma obra agressiva e perturbadora, mas acima de tudo verídica e intemporal, que funciona como um resgate de valores e preceitos.

Paula Alexandra Silva, Consultora Financeira, 29 anos


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quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Gente Independente

Autor: Halldór Laxness

Acho que é um belíssimo livro, lamentando que só agora tenha sido traduzido para português. Não é, certamente, o livro do século como se lê na capa da edição portuguesa, o que é sempre discutível, já que é uma obra que nos dá a conhecer um país e
um povo singular, abordado as diversas transformações sociais decorridas na Islândia do século XX . Isto seria interessante confrontar essa discussão, como a que os nossos escritores fizeram em relação a regiões semelhantes do nosso país.
Quanto a mim a tradução podia ser mais cuidada A tradutora é islandesa e vive em Portugal há muitos anos, mas o seu domínio (da língua) tem algumas falhas. O que é um “sorriso conservador”? Como figura no texto. Acho que em português deve fazer um adjectivo mais adequado.

Guilherme António Silva de Oliveira, 74 anos, Jurista Aposentado

ver este título no catálogo da biblioteca


entrada n.º 0075

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Pão com manteiga

Autor: Bernardo Brito Cunha et. al.


Em 1987 havia na Rádio Comercial um programa chamado "Pão com Manteiga", cujos textos que aí eram lidos, foram escritos por Bernardo Brito Cunha, Orlando Neves, Eduarda Ferreira, José Duarte e Mário Zambujal. Passados 20 anos e com muita saudade, deixo aqui a referência a este programa, que enchia os ouvintes com grandes momentos de humor, ironia e sarcasmo. São com toda a certeza de um programa que marcou o humor radiofónico no nosso país.

Carlos Soure, 41 anos, Bancário

entrada n.º 0074

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

O Pianista

Autor: Wladyslaw Szpilman


Gostei, pela forma singela com que nos transmite a epopeia dramática do autor;
Sem atingir a crueza de outras obras do mesmo tema, «se isto é um homem» (Primo Levi) ou «25ª Hora» (Virgil Georgin), é mais um grito de despertar, uma acha para a fogueira anti-nazi, que cada vez parece mais necessária e urgente manter, atendendo à inconsciência e barbárie, que de vez em quando nos querem voltar a assombrar (especialmente aos incautos) como é o exemplo a recente profanação de túmulos judaicos em Lisboa...
Francisco Adolfo Gomes, 73 anos, Reformado (EDP)


Apreciei muito a maneira como o livro está narrado: com precisão; clareza; brandura; e principalmente isento de sentimento de revolta, ódio e até de vingança, que seria de esperar quando sofridos na pele e presenciados tais acontecimentos tão desumanos, brutais, degradantes. Só uma pessoa estruturalmente bem formada, com princípios religiosos e culturais muito elevados poderia transmitir dessa maneira os acontecimentos tão inesquecíveis e sorríveis que emagreceram a história universal.

Maria José Antunes de Almeida Gomes, Aposentada
entrada n.º 0073